A dor física nunca é puramente biológica, ela é uma experiência psicossomática. No olhar psicológico, o corpo é o palco onde as emoções se manifestam. Quando a dor se torna persistente, ela consome a energia mental, altera o humor e molda nossa percepção do mundo, criando um ruído constante que vai muito além do desconforto físico. Viver com dor exige um esforço cognitivo exaustivo. A mente opera em sobrecarga, tentando ignorar os sinais de alerta enquanto tenta focar na rotina. Isso gera fadiga mental, irritabilidade e falta de concentração. Ocorre então um ciclo vicioso: a dor causa estresse, que tensiona os músculos, ampliando a sensação dolorosa e levando, muitas vezes, ao isolamento social por puro esgotamento emocional. Para atravessar os dias em que o corpo grita, é fundamental trocar a resistência pelo acolhimento: Não lute contra o limite do seu corpo. Aceitar que hoje você precisa de um ritmo lento é autocuidado, não desistência. Use a atenção plena para observar a...
Por que o Passado Insiste em se Fazer Presente? Muitas vezes, a experiência do trauma é descrita como uma ferida que se recusa a fechar, mas, tecnicamente, ela se assemelha mais a uma memória que não conseguiu ser devidamente "arquivada". Enquanto psicóloga, vejo diariamente como o conceito de trauma é cercado de estigmas e dúvidas. Diferente do que o senso comum sugere, o trauma não é o evento em si — seja ele um acidente, uma perda súbita ou uma negligência prolongada —, mas sim a marca deixada no sistema nervoso. É a resposta biológica e emocional que ocorre quando nossas ferramentas internas de enfrentamento são sobrecarregadas, impedindo que o cérebro processe aquela vivência como algo que ficou no passado. É nesse cenário que surgem os chamados gatilhos. No cotidiano, essa palavra tem sido usada de forma banal, mas no contexto terapêutico, ela carrega uma profundidade fisiológica. Um gatilho é qualquer estímulo — um cheiro, um tom de voz, uma cena de filme ou até uma ...