Por que o Passado Insiste em se Fazer Presente? Muitas vezes, a experiência do trauma é descrita como uma ferida que se recusa a fechar, mas, tecnicamente, ela se assemelha mais a uma memória que não conseguiu ser devidamente "arquivada". Enquanto psicóloga, vejo diariamente como o conceito de trauma é cercado de estigmas e dúvidas. Diferente do que o senso comum sugere, o trauma não é o evento em si — seja ele um acidente, uma perda súbita ou uma negligência prolongada —, mas sim a marca deixada no sistema nervoso. É a resposta biológica e emocional que ocorre quando nossas ferramentas internas de enfrentamento são sobrecarregadas, impedindo que o cérebro processe aquela vivência como algo que ficou no passado. É nesse cenário que surgem os chamados gatilhos. No cotidiano, essa palavra tem sido usada de forma banal, mas no contexto terapêutico, ela carrega uma profundidade fisiológica. Um gatilho é qualquer estímulo — um cheiro, um tom de voz, uma cena de filme ou até uma ...